quarta-feira, 8 de agosto de 2012

MULHER AUTISTA PENSA COMO ANIMAIS



     
      Quando era criança, a americana Temple Grandin não se relacionava com outras pessoas e só começou a falar aos quatro anos de idade. Hoje, é uma celebridade, foi tema de filmes, dá aulas na Universidade de Colorado, é assessora do governo dos Estados Unidos e uma autoridade mundial em saúde animal.
      Temple Grandin foi diagnosticada com autismo durante a infância. A empatia de Grandin com o gado e sua capacidade de entender o que os animais sentem levou à introdução de uma série de mudanças radicais no trabalho com o gado e na indústria de carne americana.
      Seus livros e palestras a tornaram tão popular que sua vida foi mostrada em documentários para televisão americana e europeia.
      Grandin esteve recentemente no Uruguai, participando de um encontro sobre saúde animal.
      Ela afirmou que o autismo está na raiz de sua habilidade.
      "O autismo me ajuda a entender o gado", disse Grandin em entrevista à BBC.
      "Penso de forma totalmente visual e é assim que os animais pensam. Minhas memórias são fotográficas e este pensamento visual me permite perceber detalhes que podem aterrorizar os animais, como as sombras, os reflexos no metal ou uma entrada que é muito escura."
      A professora afirmou que suas memórias parecem um vídeo que ela pode passar várias vezes em sua mente, explorando cada detalhe.
Detalhes e métodos       Grandin disse que tanto a "mente autista como a mente animal" notam detalhes que podem parecer mínimos para outras pessoas.
      Em um dos casos em que trabalhou, ela notou que o gado parava abruptamente na entrada de um curral e que isso ocorria devido aos objetos que estavam espalhados no caminho dos animais.


      "Penso de forma totalmente visual e é assim que os animais pensam."
      Em outro caso, o que assustava os animais era uma entrada muito escura. Ao invés de reconstruir o curral, a abertura de uma janela foi o suficiente para resolver o problema.
      Os métodos utilizados por Grandin não são convencionais e incluem deitar-se no chão, no local onde o gado fica, para que os animais se aproximem, como se fosse uma "encantadora" de gado.
      "O gado se sente ameaçado por coisas desconhecidas (...). Uma vaca em uma fazenda de leite vai caminhar sem problemas sobre uma sombra se a vê todos os dias. Mas um animal em um curral vai se assustar com esta mesma sombra se a ver como algo novo."
Bem-estar e medo       Grandin disse à BBC ser fundamental para a saúde dos animais que os abatedouros obedeçam a alguns requisitos.
      "Paredes sólidas e um chão que não escorrega são essenciais. Os animais entram em pânico quando escorregam", afirmou.
      "Os funcionários também devem manter a calma e reduzir muito o uso do bastão elétrico (para ajudar a conduzir o rebanho). A forma como os animais são tratados afeta a qualidade da carne. O uso do bastão e a agitação durante os últimos cinco minutos antes do abate fazem com que a carne fique mais dura", disse.
      No entanto, a professora afirma que a principal razão de mudar o tratamento dos animais é que "eles são capazes de sentir tanto medo como dor".
      Alguns críticos perguntam a razão de se melhorar o bem-estar do gado se eles serão mortos para o consumo humano e se o melhor seria simplesmente não matar estes animais.
      "Quando me perguntam como posso justificar a matança de animais para o consumo de sua carne, minha resposta é a seguinte: o gado não teria nascido se não os tivéssemos criado com fins alimentícios. Devemos dar a eles uma vida boa e uma morte sem dor", afirmou Grandin.
Palestras       Além de seu trabalho com bem-estar animal, Grandin também dá numerosa palestras sobre autismo, destacando a importância de fornecer logo cedo o apoio de professores capazes de dirigir as fixações de crianças autistas em direções que rendam frutos.
      "(Albert) Einstein hoje seria diagnosticado como autista. Ele não falou até os três anos de idade."
      "Steve Jobs, o fundador da Apple, foi perseguido por seus colegas de escola e era considerado um solitário, estranho quando estava na escola", disse Grandin à BBC.
     "As pessoas diferentes são capazes de conseguir coisas grandiosas", acrescentou.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O PRIMO BASÍLIO - SUGESTÃO DE LIVRO

      Hoje vou sugerir um livro que considero fantástico: "O Primo Basílio", de Eça de Queirós. Além da minuciosa narrativa que nos transporta para a Lisboa do século XIX, o livro também conta a história da empregada que chantageia a patroa, causando assim uma inversão de papéis.




      "O Primo Basílio" conta a história de Luísa, jovem sonhadora e ociosa da sociedade lisboeta, que acaba envolvida por Basílio, seu primo, com quem se reencontra, após anos de distância. Achando-a sozinha, já que Jorge, o marido, viajara a negócios, Basílio serve-se de sedução e galanteios, até levá-la a se envolver profundamente consigo, tornando-se sua amante. Juliana, a criada, descobre a corres­pondência trocada por ambos e chantageia a patroa.

Marilia Pera como Juliana, em O Primo Basílio (adaptação para a tv)

 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

ANIMAÇÃO PIXAR


Muito legal essa animação da Pixar...


COMO AJUDAR UM DEFICIENTE VISUAL


      Se parecer que o deficiente visual está precisando de ajuda, identifique-se e faça-o perceber que você está falando com ele;
      Para guiar um deficiente visual, espere que ele segure no seu braço; a pessoa com  deficiência visual irá acompanhar o movimento do seu corpo enquanto você vai andando. Para fazer o deficiente visual sentar, guie-o até a cadeira e coloque a mão dele no braço ou no encosto da cadeira, e deixe que a pessoa sente-se sozinha;
      Fique a vontade para usar palavras como \"veja\" e \"olhe\". Nem você nem o deficiente visual podem evitá-las, já que não existem outras para substitui-las;
      Por mais tentador que seja acariciar um cão-guia, lembre-se de que esses cães têm a responsabilidade de guiar um dono que não enxerga. O cão nunca deve ser distraído do seu dever de guia;
Quando for embora, avise sempre o deficiente visual.

FONTE: http://www.apaemuriae.com.br



PARALIMPÍADAS 2012

     
      Em 2012, os Jogos Paralímpicos ocorrerão em Londres (Inglaterra), entre os dias 29 de agosto (cerimônia de abertura) e 9 de setembro (cerimônia de encerramento). Haverá a participação de mais de cinco mil atletas (esperado) de 150 países (esperado), inclusive do Brasil. Vinte esportes estão no pragrama paralímpico de 2012.

História 
      As Paraolimpídas foram organizadas pela primeira vez em 1960 e aconteceram na cidade de Roma (Itália). Organizada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), esta primeira edição teve competições dos seguintes esportes: esgrima, basquete, atletismo, tênis de mesa e arco-e-flecha. 
      Na última edição, que ocorreu na cidade de Pequim em 2008, cerca de 4 mil atletas participaram. A China ficou em primeiro lugar no quadro de medalhas (89 de ouro, 70 de prata e 52 de bronze)

Modalidades Esportivas Paraolímpicas
- Atletismo
- Basquete em cadeira de rodas
- Bocha
- Ciclismo
- Esgrima em cadeira de rodas
- Futebol de 5 jogadores
- Futebol de 7 jogadores
- Goalball (para portadores de deficiência visual)
- Levantamento de peso
- Hipismo
- Judô
- Natação
- Remo
- Rugbi em cadeira de rodas
- Tênis em cadeira de rodas
- Tênis de Mesa
- Tiro
- Tiro com arco
- Vela
- Voleibol


Participação e desempenho do Brasil nas Paraolimpíadas de Pequim 2008:

- Nas Paraolimpíadas de Pequim, em 2008, os atletas brasileiros fizeram bonito e conquistaram 16 medalhas de ouro (8 na natação, 4 no atletismo, 1 no judô e 1 no futebol de 5 e 2 na bocha), 14 de prata (4 no atletismo, 7 na natação, 2 no judô e 1 no tênis de mesa) e 17 de bronze (7 no atletismo, 4 na natação e 2 no judô, 1 na bocha, 2 na equitação e 1 no remo). Nosso país ficou em 9º lugar no quadro de medalhas.

 

domingo, 5 de agosto de 2012

ENTREVISTA PARA O BLOG DA CAROL

      Na tarde em que estive com a Carol e com a Josiane na Casa de Cultura Mario Quintana, conversamos muito sobre inclusão, acessibilidade e preconceitos em relação às pessoas com deficiência. A Carol também aproveitou para fazer uma entrevista comigo para o seu blog.
      Valeu, Carol!



Carol-  Porque escolheste o nome Centauro Alado?

Cristiano - Quando pensei em fazer o blog, queria que ele reunisse assuntos relativos ao meu interesse, em diversos aspectos. O nome Centauro Alado vem do fato de eu gostar de mitologia grega e por achar a figura do centauro muito representativa. O centauro é metade homem e metade cavalo, ou seja, tem a inteligência do homem e a força do animal. Um centauro alado poderia voar, o que seria uma combinação perfeita entre força, inteligência, sensibilidade e liberdade. São características que considero fundamentais no ser humano: força para ir adiante mesmo diante das dificuldades e dos preconceitos, inteligência e sensibilidade para nortearmos nossos caminhos e, liberdade, para irmos e virmos, sem barreiras.

 Carol- Porque você escolheu falar dos assuntos relacionados as pessoas com deficiência?
 Cristiano- Na verdade, o blog aborda vários assuntos, mas o carro chefe são temas relacionados às pessoas com deficiência. Como trabalho com fisioterapia há 13 anos e convivo direto com esse público, achei que seria legal criar um espaço onde pudesse discutir questões relacionadas a esse universo. Porém, senti a necessidade de mesclar outras temáticas, tais como literatura, cinema, música, história, etc. Queria um blog que não fosse interessante apenas para quem tem algum tipo de deficiência, mas para as pessoas no geral. Afinal, Inclusão passa por isso...

Carol- Me fale do seu mais novo projeto" Era uma vez um conto de fadas inclusivo"?

Cristiano- “Era uma vez um conto de fadas inclusivo” é uma coleção de livros infantis composta por 11 contos de fadas onde os personagens possuem algum tipo de deficiência. Chapeuzinho Vermelho é cadeirante, Branca de Neve é cega, Aladim tem Síndrome de Down, Cinderela não tem um pé, etc. A ideia é apresentar o universo das pessoas com deficiências para as crianças através de personagens que já lhes são familiares. Ao longo desses 13 anos em que trabalho como fisioterapeuta, observei que crianças sem deficiência que convivem com crianças com deficiência lidam de uma forma muito natural com questões relacionadas às diferenças. A coleção também conta com um cd com áudio livro e com a audiodescrição das histórias, para as crianças e adultos que possuam deficiência visual.
Os textos e as ilustrações são de minha autoria, o designer gráfico é do artista Leandro Selister e a audiodescrição é da Mil Palavras. O projeto tem o apoio Ministério da Cultura e patrocínio de duas empresa a SAVAR e AGCO .

Carol - Como você vê a Inclusão de crianças com deficiência nas escolas e a preparação dos professores?
Infelizmente, a Inclusão de crianças com deficiência nas escolas ainda é muito mais um conceito teórico do que prática. Existe uma legislação que determina que as crianças com deficiência sejam aceitas nas escolas regulares, mas não existe investimento em tecnologia assistiva, adaptações do meio físico e formação de profissionais (educadores e monitores) para receber esses alunos. Por outro lado, já estive em escolas onde havia sim investimento nas questões físicas (rampas, mobiliários adaptados) e formação de educadores, mas onde os professores não se julgavam aptos a trabalhar com essas crianças em sala de aula. Como sabemos, incluir uma criança com deficiência na sala de aula é muito mais do que colocá-la sentada no meio dos seus coleguinhas sem deficiência, mas sim, proporcionar maneiras de que ela interaja com o meio e vice versa e que consiga usufruir do direito de ser educada. E isso, na maioria das vezes, demanda mobilização e criatividade por parte dos professores. Numa sala de aula com trinta alunos que também requerem a atenção (sejam quais forem as suas necessidades) por parte dos educadores, é compreensível que os mesmos sintam-se inseguros quando recebem uma criança com deficiência. Colocar a Inclusão na prática é um grande desafio que requer criatividade, boa vontade e persistência de todos os lados.
 
 
 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

COMO BRINCAM AS CRIANÇAS SURDAS


      A fantasia é fundamental para a criança entender a realidade que a cerca. Para quem não ouve nem fala, o faz-de-conta representa muito mais: a integração no mundo das brincadeiras das crianças comuns, sem deficiência. A pedagoga Daniele Nunes Henrique Silva pesquisou o assunto, publicado no livro Como Brincam as Crianças Surdas, da Editora Plexus. Em seu trabalho, ela ressalta a importância de se conhecer a língua dos sinais para entrar na fantasia com os amiguinhos e se igualar a eles no desenvolvimento intelectual.
      No curso de graduação, na Unicamp, comecei a estudar as brincadeiras de faz-de-conta de crianças em orfanato, interessada em saber que papéis elas gostavam de interpretar. Minha professora na época estudava as crianças surdas, percebendo que elas brincavam muito com situações que as faziam sair da condição de surdas, como atender telefone e ouvir rádio. Fiquei interessadíssima e resolvi fazer minha tese de mestrado aprofundando esse tema, com base nas seguintes questões: Como a criança surda utiliza a língua dos sinais nas brincadeiras? Como encena os papéis sociais? Que relação tem essa escolha com a linguagem?


O que você descobriu?
      A pressão do mundo ouvinte é grande sobre a criança surda e ela quer entendê-lo. Uma das formas de fazer isso é brincando, e quando conhece a língua brasileira dos sinais, esse universo da brincadeira fica mais amplo. Ela pode explicar para o amigo o que está representando na brincadeira ou do que pretende brincar. Pode pegar uma cobra de pano, por exemplo, e indicar para a outra criança que aquilo virou uma moto. Esse ato de brincar com as idéias é essencial no desenvolvimento infantil. Para a criança surda que não domina a linguagem dos sinais, a brincadeira fica difícil porque ela não consegue passar sua idéia para o outro. Como ela diz para o parceiro que estão brincando de dirigir?


A brincadeira dessa criança precisa ser adaptada?
      Não, a criança com surdez brinca da mesma forma que as outras. A diferença está na maneira de se comunicar. Por meio da palavra, ambas entram no mundo do faz-de-conta. No caso da criança surda, os sinais são a palavra. Quanto mais cedo ela aprender essa linguagem, melhor para seu desenvolvimento. Porque ela terá maior condição de representar o mundo e de se expressar sobre ele. Essa é a base de todo raciocínio da criança e o fundamento de todo pensamento simbólico, abstrato e representativo.


O que chamou mais a atenção nas brincadeiras dessas crianças?
      A criança surda organiza a brincadeira de um jeito diferente, porque utiliza as mãos para tudo, fazer sinais, gestos e compor expressões corporais. E tem de representar com muita rapidez para o colega entender, entrar no enredo e não desistir da brincadeira. Se ela não sabe a língua dos sinais, a brincadeira não se desenvolve tanto quanto no faz-de-conta da criança ouvinte, que recheia sua fantasia com muitos diálogos e representações. Outro aspecto é que o faz-de-conta começa quando a criança aprende a falar. Por volta dos 2 anos todas têm essa capacidade. No caso da criança com surdez, é quando ela começa a se expressar por sinais. Daí a importância de os pais detectarem o problema cedo e usarem a linguagem dos sinais com o filho o quanto antes. A criança que ouve participa do mundo muito antes de falar. A mesma coisa precisa ocorrer com o deficiente auditivo. Ele precisa estar inserido no universo da sua língua muito antes de começar a falar.


Que dicas você poderia dar de como brincar com a criança surda?
      É ela que nos ensina a brincar. Muitos me perguntam se tem um brinquedo específico para surdos. Os brinquedos são iguais para todo mundo. Não se pode discriminar brinquedos, a sociedade já está por demais discriminada. Se for pensar assim, daqui a pouco vai ter brinquedo para branco, negro, índio, chinês. Não é preciso ensinar uma criança a brincar. No caso do deficiente auditivo, é só dar a ele ferramentas para se comunicar, para que ele faça fluir sua imaginação.


Dá para ensinar a língua dos sinais na brincadeira?
      Esse aprendizado deve funcionar igual ao da fala para a criança ouvinte. Não a ensinamos a falar. No cotidiano, com a convivência com os pais, suas atividades são marcadas pela fala. Deve ser assim com a criança surda. O neurologista Oliver Sacks escreveu sobre isso num livro, descrevendo um lugar nos Estados Unidos, a ilha de Martha’s Vineyard, no estado de Massachusetts, onde a maioria dos habitantes é surda. Ele diz que quando se chega lá você é o diferente, porque é o ouvinte e todos se comunicam por sinais. E o desenvolvimento das pessoas é igual ao de qualquer ouvinte. É isso que os pais de crianças surdas têm de entender, o quanto é importante aprenderem a língua dos sinais, como se fossem surdos também, para transmiti-la ao filho. “Os pais da criança surda precisam aprender a língua dos sinais para ensiná-la ao filho o mais cedo possível. Isso faz diferença nas suas brincadeiras “


Como Brincam as Crianças Surdas
 Daniele Nunes Henrique Silva – Editora Plexus (11) 3865-9890
Fonte: Revista crescer

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CÃO GUIA COM ACESSO LIBERADO

     
      Conforme a Lei Federal nº 11.126, de 27 de junho de 2005 e decreto 5.904 de 21 de setembro de 2006, em vigor, é assegurado à pessoa com deficiência visual acompanhado de um cão guia - e de cão em fase de socialização ou treinamento em companhia de seu treinador, instrutor ou acompanhantes habilitados - o acesso em qualquer estabelecimento público e privado de uso coletivo, inclusive em meios de transporte interestadual e internacional com origem no território brasileiro.
      E a empresa que proibir o acesso, conforme os requisitos abordados na Lei e decreto, pode arcar com multa ou até ser interditada, e é considerado um ato sério de discriminação.